Manual de Conduta para Turistas e Visitantes

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TERRITÓRIO QUILOMBO KALUNGA – COMUNIDADE DO VÃO DO MOLEQUE

Orientações para uma visita respeitosa, segura e comprometida
com o Território Quilombola Kalunga


SEJA BEM-VINDA(O)

Sua passagem pelo Território Quilombola Kalunga – Macrorregião do Vão do Moleque pode ser uma oportunidade de encontro, aprendizado e troca.
Este manual reúne orientações baseadas nos modos de viver, nos acordos comunitários e no cuidado com as pessoas, as águas, os animais, o Cerrado e todos os seres que fazem parte deste território.
Antes de chegar, leia este manual. Conhecer e respeitar nossas orientações também faz parte da experiência.


ANTES DA VISITA: INFORME-SE

Antes de chegar ao território, procure conhecer um pouco mais sobre os Territórios Quilombolas. Leia materiais produzidos por pessoas e organizações quilombolas e pesquise: o que é quilombo, o que significa regularização fundiária dos Territórios Quilombolas e por que o território é fundamental para a continuidade dos modos de vida, da memória e dos conhecimentos dessas comunidades. Seja uma pessoa visitante responsável: chegue disposta a aprender, respeite as orientações comunitárias e lembre-se de que você está entrando em um território de vida.


RESPEITE NOSSAS REGRAS

É importante que todos os visitantes, parceiros e demais pessoas que chegam ao Território Quilombola Kalunga compreendam que este território é, antes de tudo, nosso lar. É onde vivemos, construímos nossas relações, preservamos nossas memórias, nossos saberes e nossos modos de vida.
Por isso, para visitar Território Quilombola Kalunga – Macrorregião do Vão do Moleque, é necessário respeitar nossas regras, nossos direitos e nossa organização comunitária. Este Manual de Conduta é uma referência para orientar a visitação e deve ser conhecido e respeitado por todas as pessoas que chegam ao território.
As visitas devem ser realizadas com agendamento prévio junto à Associação Kalunga Comunitária do Vão do Moleque, seguindo as orientações, os horários, os limites de visitação e os acordos definidos pela comunidade.

AGENDE SUA VISITA

Faça o agendamento previamente com a Associação Kalunga Comunitária do Vão do Moleque e aguarde a confirmação site (https://vaodomolequeatrativos.sgtour.com.br/) Informe corretamente o número de turistas, o período de permanência e as atividades de interesse.
Respeite horários, valores, capacidade de recepção e acordos definidos pela comunidade.
Os roteiros acompanham os tempos do território.
Clima, festejos e decisões comunitárias podemalterar as atividades.
No momento do agendamento, a Associação enviará pelo WhatsApp o formulário de pré-viagem e um vídeo de orientação. Preencha e assista antes
da chegada.

CHEGUE COM RESPEITO E VONTADE DE APRENDER

Nós, Quilombolas Kalunga, temos nossa própria história, conhecimentos e modos de viver, construídos e transmitidos entre gerações. Nossos saberes nascem das experiências no território, das águas, das roças, dos caminhos, da alimentação, dos festejos, da espiritualidade e da vida em comunidade.
Ao chegar, venha disposto a escutar, aprender e trocar conhecimentos. Deixe de lado preconceitos e ideias que colocam uma forma de conhecimento acima de outra. O território também é lugar de ensinar e aprender que há conhecimentos construídos pela experiência e pela ancestralidade que não estão apenas nos livros, nas universidades ou nas escolas.
Respeite nossas crenças e espiritualidades. Elas fazem parte dos nossos modos de existir e de nos relacionar com o território. Não são permitidas pregações, tentativas de conversão religiosa ou práticas que desrespeitem nossas crenças.

FALAR MENOS, ESCUTAR MAIS

Converse, pergunte e compartilhe, mas respeite também o silêncio. Desacelere do ritmo da cidade e permita-se viver o tempo do território. Aqui, observar e escutar também são formas de aprender.

INFORME-SE PREVIAMENTE SOBRE O QUE PODE LEVAR NA VISITA

Antes de chegar, informe-se com as Associações, a(o) guia ou condutora(o) Kalunga responsável pela visita sobre o que pode ser levado para consumo
próprio ou para compartilhar com as famílias.
Antes de levar presentes, doações, alimentos, bebidas ou outros materiais, pergunte. Nem toda boa intenção corresponde às necessidades da comunidade. Respeitar nossa organização também significa permitir que nós mesmos indiquemos o que é necessário e como algo pode ser compartilhado.
Durante a visita, procure conhecer e valorizar nossa alimentação, nossos produtos e os modos de preparo presentes no território.
Não é permitido levar armas, armadilhas, instrumentos destinados à caça ou substâncias ilícita . O consumo de bebidas alcoólicas deve respeitar as regras estabelecidas pela comunidade e pelo roteiro de visitação.

RESPEITE A NATUREZA

O Território Quilombola Kalunga está no bioma Cerrado. Para nós, o Cerrado não é apenas uma paisagem ou um lugar para visitação. As águas, serras, veredas, plantas, animais e caminhos fazem parte da nossa vida, dos nossos conhecimentos e da continuidade do povo Kalunga. São espaços cuidados e protegidos pelas comunidades ao longo de gerações.
Ao visitar o Vão do Moleque, você também assume conosco a responsabilidade de cuidar do território.
Não jogue lixo nas estradas, trilhas, rios, cachoeiras ou em qualquer outro espaço.
Observe e conheça sem retirar: não leve plantas, flores, frutos, sementes, raízes, pedras ou animais sem autorização. Não cace, pesque, capture, persiga, alimente ou provoque animais silvestres.

LEVE DE VOLTA O SEU LIXO PARA A ÁREA URBANA

Todo lixo produzido durante a visita deve ser levado de volta para a área urbana. Não deixe resíduos no território. Colabore conosco. Quem visita o território também é responsável por cuidar dele.

VEJA POR ONDE ANDA

Cada lugar tem uma história, um uso e uma relação com as famílias. Por isso, nem todos os espaços fazem parte da visitação.
Caminhe acompanhado por uma guia, condutora(o) ou pessoa autorizada pela comunidade!
Utilize os acessos, estradas e trilhas indicados.
Não entre em casas, quintais, roças ou outros espaços de uso familiar sem convite.
No Território Quilombola Kalunga, reduza a velocidade.
Ao passar por colchetes, porteiras ou cercas, deixeos fechados.
Nos rios e cachoeiras, siga as orientações sobre banho, circulação e permanência. Não realize saltos
sem orientação do(a) condutor(a).

RESPEITE AS PESSOAS, A IMAGEM E A PRIVACIDADE

Registros em áudio, foto ou vídeo devem ser autorizados pelas pessoas registradas; no caso de crianças e adolescentes, por seus responsáveis. O uso de drones exige autorização das Associações Comunitárias. Imagens, vozes, histórias e conhecimentos do povo Kalunga não podem ser utilizados para fins comerciais, acadêmicos, jornalísticos, institucionais ou documentais sem seguir os procedimentos da Associação Quilombo Kalunga (AQK). Respeite a privacidade, a dignidade e os limites das pessoas. Não aceitamos racismo, discriminação, assédio, violência ou qualquer comportamento que desrespeite ou constranja as pessoas. Nas redes sociais, não exponha pessoas sem autorização nem reproduza estereótipos sobre o povo Kalunga.

SIGA AS ORIENTAÇÕES DE SEGURANÇA

Dirija com atenção e reduza a velocidade. As rodagens são caminhos de uso cotidiano dos moradores. Respeite quem vive e circula pelo território.
Rodagens de terra, pontes, rios, cachoeiras, trilhas e mudanças do tempo exigem atenção. Siga as orientações de quem conduz a atividade. Use roupas e calçados adequados, proteção solar e mantenha-se hidratado.
Não se afaste do grupo nem entre sozinho em matas ou caminhos que não façam parte do roteiro. Uma atividade poderá ser modificada ou interrompida quando as condições não forem consideradas seguras.
Respeite os horários combinados. Eles fazem parte da organização comunitária, da segurança e do trabalho das pessoas que recebem você.

ALIMENTAÇÃO E ARTESANATO: PATRIMÔNIO VIVO 

Na experiência no Território Quilombola Kalunga, comer e comprar não são apenas atos de consumo.
A alimentação e o artesanato carregam histórias, conhecimentos e relações com o território.
A alimentação que você encontra aqui é fruto da vivência e da ciência de pessoas que conhecem o território, suas plantas, roças, águas, tempos e formas de preparo. Por isso, perceba a comida para além do simples ato de saciar a fome: ela expressa memória, identidade, trabalho, ancestralidade e modos de viver.
Da mesma forma, cada peça de artesanato carrega mais do que uma lembrança. Ela pode guardar a história de um povo, os saberes de quem produz, materiais do território, técnicas transmitidas entre gerações e formas de expressar a identidade Kalunga

VALORIZE O QUE É FEITO NO TERRITÓRIO
Ao escolher alimentação, artesanato e outros produtos
comunitários, reconheça o trabalho, o tempo, o
conhecimento e a história presentes em cada produção.
Pergunte, escute e compreenda o significado antes de
tratar esses bens apenas como souvenirs.

AO IR EMBORA, NOSSA RELAÇÃO DE RESPEITO CONTINUA

Ao visitar a Comunidade Vão do Moleque, você conheceu um pouco do Território Quilombola Kalunga, construído e cuidado por nosso povo há mais de 300 anos. Uma história de resistência, liberdade e continuidade.
Esperamos que essa experiência não termine com a viagem. Ao voltar para casa, compartilhe o que viveu com respeito, sem reproduzir estereótipos sobre os quilombos. Nos espaços em que atua, seja uma pessoa aliada ao território, contribuindo para iniciativas que fortaleçam nossos direitos, a regularização fundiária, a justiça climática, a cultura, a educação e o bem viver das comunidades.
Que você leve mais do que fotografias: leve aprendizados, respeito e o compromisso de contribuir para o fortalecimento e a continuidade do Viver Kalunga.

PALAVRAS DO KALUNGUÊS

CAUSO – História vivida pela própria pessoa ou por alguém da comunidade, compartilhada em momentos de conversa.
ESCOROÇADOR – Nome utilizado para o descaroçador de algodão.
POUSO – Lugar onde a pessoa se hospeda ou passa a noite.
TIRA JEJUM | QUEBRA JEQUE – Forma de se referir ao café da manhã.
TOADA – Ritmo.
DEVERAS – Afirmação.
MADORNA – Dormir.
APEIA – Descer.
BAQUEADO – Cansado.
MERMADO – Indigestão.
RODAGEM – Estrada.
XILADO – Bêbado.
BUCADO – Muita coisa.
CANGANDO GRILO – Enrolação.
QUAL SUA GRAÇA – Qual o seu nome?
CUVIANO – Forma tradicional de se referir às nuvens.
KALUNGUÊS – Modo de falar próprio das comunidades Kalunga, transmitido entre gerações.
RANCHADA | RANCHAR – Acampamento ou local  preparado para permanecer temporariamente.
ADONDE – Onde?
LÉGUA – Medida.
RUDIAR – Dar a volta.
CUMPASSÔ? – Como está?
ASSUNTAR – Observar.
TÔ BAGUÁ – Cansado.
DANURENTO – Guloso.
BULINAR – Mexer com coisa alheia.
ABANCAR – Sentar.
MATULAR – Lanchar.
MALINAR – Travesso.
AISTO – Bem-feito.

TERRITÓRIO QUILOMBO KALUNGA · COMUNIDADE VÃO DO MOLEQUE - SETEMBRO 2026